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Semana 26/12 à 01/01

Um Natal como um dia qualquer

28/12/2009
João Ribeiro terá de passar o Natal e Reveillon ao lado da sua cadelinha Brenda, trabalhando

Com a proximidade do Natal, muitas pessoas saem às compras do presente do amigo, do familiar, da pessoa amada, e claro também da comida para a ceia natalina. Há também aqueles que já até programaram a viagem do Reveillon para curtir a virada do ano no litoral brasileiro. Porém, essa não é a realidade dos mais necessitados, que tratam essas datas tão especiais para alguns, como um dia qualquer em suas vidas.

É o caso do catador de papelão, João Ribeiro, de 49 anos. Desde os 18 anos atuando nessa profissão, há um mês se tornou vigia noturno em uma obra – de uma futura clinica médica – na Avenida Altino Arantes. Trabalha de segunda a quinta-feira, das 18h às 8h. Já no final de semana, entra na sexta-feira também às 18h e sai apenas na segunda-feira, às 8h. Entre um horário e outro vai pra casa tomar banho e pegar a comida que servirá para o almoço e a janta. Apesar disso, agradeceu a oportunidade pelo novo emprego, até porque, a renda com reciclagem não ultrapassava os R$ 300,00. Agora, chega a R$ 500,00.

O vigia prefere também o atual emprego porque sofre de um problema de saúde – carne esponjosa, no pescoço. Ele contou que quando precisa ficar o dia todo caminhando para pegar papelão nas ruas debaixo de sol forte, o pescoço começa a arder e coçar.

João Ribeiro mora com a esposa e mais três filhos no Jardim Califórnia. A vida que a família leva é bem humilde e necessita muitas vezes da ajuda de terceiros para sobreviver. O vigia é praticamente o único que coloca dinheiro em casa. A mulher sofre de um problema de saúde que a impede de trabalhar. Um dos filhos está trabalhando com ele na obra da clínica como servente de pedreiro, porém, o dinheiro servirá para comprar material escolar e quem sabe uma bicicleta. “Quando ganho alguma coisa das pessoas, eu consigo comprar mais comida com meu dinheiro e deixar armazenada para não faltar”, contou.

Hoje João Ribeiro leva uma vida mais tranquila. Diferente de 11 anos atrás quando era alcoólatra e ainda agredia a mulher. Um dia, o vigia deu um basta na bebida, após conselho de um médico, e atualmente vive longe do álcool. “Antes eu bebia muito, brigava com a minha mulher, não tinha medo de brigar. Um dia fui parar no Hospital de Saúde Mental e o doutor disse que eu não tinha nenhum problema de doença no corpo, mas o que estava me matando era a bebida. Então eu disse que se fosse assim, colocaria fogo nela, e coloquei. Já faz 11 anos que não bebo mais”, disse ele todo orgulhoso.

Natal

A vida difícil e humilde de João Ribeiro faz com que o seu Natal e da sua família seja lembrado como um dia qualquer em suas vidas. Não há comida farta, presentes ou o encontro com os demais familiares espalhados pelo país. A única mudança nesta data é agradecer a Deus por estarem vivos e com saúde. “Se eu falar outra coisa estarei mentindo, mas no Natal, já ficamos contente de estarmos com saúde. Infelizmente não temos condições de comprar uma comida boa como as outras famílias ou ate mesmo uma lembrançinha. A gente agradece a Deus por nos dar saúde e as pessoas que tem um bom coração e que as vezes nos ajudam dando cesta básica, roupa”, ressaltou.

Apesar da dificuldade e do Natal simples, o vigia disse que a família não cria casos pela falta de uma comida melhor ou então do presente. “Às vezes eles comentam se vamos comer algo de novo no Natal, mas não ficam doentes se não recebemos nada. Se ganhamos alguma coisa nós comemos, caso contrário, não haverá problema, pois estamos acostumados”, lembrou ele, dizendo ainda que nunca conseguiu comprar um presente para os filhos, apenas os presenteia quando recebe de amigos.

No entanto, o Natal desse ano de João Ribeiro será um pouco diferente. Como a obra da clínica ainda não foi concluída, ele terá que passar a ceia natalina trabalhando como vigia. Bem como também o Reveillon. Se tiver que ficar aqui, farei isso numa boa, e se alguém trazer algo aqui ficarei feliz”, disse ele, mas que não passará a data sozinho, mas sim com sua companheira, a cadelinha Brenda, que ele tem desde filhote.

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