Diário de Ourinhos

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Felipe Bonifácio

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por Felipe Bonifácio
jan   201428

ARTE E ESPORTE, NO ENTANTO, É SÓ DOENÇA....

Postado em Geógrafo

A questão do corpo, não mais vista separada da alma e sim entendida como formas complementares do nosso ser, também necessita ser objeto de ação política, o que aqui denominamos Bio-política

O espaço social e politico age não somente em esferas institucionais, ela tem como ultima instancia o nosso corpo, somos objetos constituinte de todo um sistema de regras que nos normatizam.

A consciência corporal surge como um despertar de um sonho idílico, o reagir de uma alienação que nos aprisionam no fluxo incessante e entorpecente da vigília cotidiana na qual estamos inseridos. Situação que tem como emblema e motor motriz o consumo passivo: o assistir mórbido da televisão, a alimentação desenfreada de alimentos pobres e outras mazelas muito mais profundas desse mundo capitalista.

Nossas crianças foram concebidas na era da mobilidade física e informacional, para elas o convívio em salas regulatórias, sentadas em bancos escolares duros e desajeitados, funcionam como salas de aprisionamento, onde o fazer artístico, corporal e de expressão múltiplas são censurados.

O esporte em trama com a arte parece ser o método potencial para superação desse problema que atinge de modo pernicioso todo o sistema educacional, no entanto, o que observamos é que disciplinas como música, artes visuais e educação física são secundarizada ou inexistente na grade curricular.

A busca pela harmonização entre corpo e mente percorrer todo o trajeto humano de aprendizagem e crescimento pessoal. No romantismo alemão do século XIX já era era entendido como parte inerente da essência da humanidade, a ciência convicta disso alinhava esporte, arte e estudos.

No mundo marcado pela industria e os ditames do produzir insaciavelmente a arte e o esporte parecem não possuir espaço na aprendizagem.

As crianças representam o maior numero de consumidores de Ritalina. A droga, utilizada para conter a hiperatividade é utilizada a reveria em nosso país e muitas vezes sem a real necessidade. Países como a França já não tratam a hiperatividade como uma doença e acharam modos muito mais eficazes de lidar com esse excesso de energia.

A questão é achar uma direção contrária ao uso das drogas em crianças. A melhor estratégia é conduzir toda essa energia para algo que pode ser trabalhado e lapidado em proveito próprio da criança.

Artistas ou esportistas do mundo inteiro poderiam ser diagnosticados como hiperativos e hoje poderiam estar dopados ou enfrentando graves problemas psicológicos causados pelo efeito colateral do uso constante dessas drogas.

O que toda essa trança de elementos aponta é que o esporte, a cultura e a arte podem fazer renascer um novo ser humano, mas, no entanto, é só doença que se produz e se tem interesse em produzir.

O acesso ao esporte não é algo fácil em nosso país, ele é privilégio das classes que podem pagar ou quando muito de bairros ricos. A politica educacional deve se alertar para essas questões e atuar na bio-política de uma outra forma. Do contrário, se nada mudar, apenas stress e novas doenças serão diagnosticadas no mundo que era para ser do domínio das ideias e da saúde.

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jan   201421

A utopia das duas rodas

Postado em Geógrafo

A utopia nunca deve ser confundida com o irrealizável, se assim o fosse, obras magistrais de toda e qualquer natureza nunca iriam sair do plano das ideias e a humanidade nunca haveria de se reconhecer nessas façanhas.

Essa frase é um anuncio imprescindível para aquilo que tomamos como coragem, força de vontade, interesse, enfim, soltas assim, as palavras poderiam tomar qualquer direção. Vamos ao Norte: pedalemos, sem deixar a corrente escapar, com nossas próprias forças geraremos energia, movimento. A negação seria a de toda e qualquer poluição, dos engarrafamentos, dos acidentes brutais. A clarevidência da paz estaria regidas por encontros casuais, de contato mais próximo, de trocas de experiências involucras por percepções espaciais, por sentimento a paisagem, por conhecimento territorial, por noções de lugares e regiões e pela perda interruptiva do tempo.

De qualquer forma, parece que o sonho de uma cidade verdadeiramente limpa, saudável e orquestrada pelos andares de bicicletas é coisa e função de gringo. No estrangeiro é viável, a boa política pode existir, a nós, resta sempre carregar o fardo do subdesenvolvimento, a subserviência dos interesses daqueles que comandam a política e o capital.

A estrutura física das coisas é a matéria essencial que fornece e permite o uso, para aqueles que se movimentam sobre duas rodas restam apenas migalhas, espalhadas ao chão e no mais denominadas ciclovias! Vamos estudantes, após anos de cobranças aí estão que vocês imploravam, restos de pedregulhos, rochas seixos. Outras (ciclovias) estão por aí, abandonadas antes mesmo de nascerem, obras apenas prometidas, no enfadonho jogo da publicidade.

Que poesia ver trabalhadores saindo do Pacheco Chaves, se aventurando por rodovias, ruas, calçadas, rezando ave marias para trazer o pão vosso de volta para a casa. Como são audaciosos por entre máquinas da modernidade que brilham feito joias. Visto dos retrovisores, as bicicletas são meros objetos obsoletos, desconsiderados muitas vezes como meios de transporte. Mais comum serem vistas como forma de lazer, todavia em lugares não preparados para tal.

Não há se quer um anuncio em nossas ruas, algos simples, “Cuidado! Ciclistas”, nada que uma transmutação de algumas placas de publicidades politicas não dariam conta.

Mas estamos avançando estupefatos de Etanol, o combustível mágico do século XXI, sustentável, pois não são necessários equitares e mais equitares para produzi-lo... será? ah, o eterno pais colonial, residencia de figuras emblemáticas, os senhores dos engenhos, os fabris, os políticos.

A nós, nos resta a aventura de um dia conturbado, de fumaças negras, de resvaladas ao meio dia de uma cidade que para na contagem regressiva dos sinais. O que dizer ainda de IPI reduzido, alta dos combustíveis, gastos com asfalto e tudo mais que acarreta? Aqui, na Terra Brasilis, os valores foram trocados. IPI 0 deveria ser para bicicletas, ciclovia e ciclofaixa para todos e qualquer lado e o transporte público de fato o ser, não como mera forma de obter lucro.

Estamos atrasados ou caminhando em sentido oposto. Enquanto não houver coragem, interesse e força de vontade não haverá utopia que se transforme em verdade.

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jan   201414

O Rolezinho

Postado em Geógrafo

“Os Rolezinhos”, como são denominados os encontros de jovens em shoppings, acabaram se transformando em um fenômeno social com grande magnitude e ponto de disseminação de várias opiniões. São análises que comumente desnudam apenas a ponta do iceberg, o que lhe confere, na maioria das vezes, a análise incisiva nesse determinado ponto, isto é, se centram nas atitudes dos jovens e não no que esta operando por trás.

O que de fato acontece é que o “rolezinho” esta imbuído de questões pré-determinantes, de contradições sociais que estão cada vez mais arrefecidas na cidade marcada pela estrutura do consumo.

Em uma análise aprofundada, cabe dizer que existe uma condição material para que esse consumo ocorra, por exemplo, os shoppings, guarnecida, sobretudo, por uma cultura do consumismo, que toma a totalidade da vida urbana. Ora, os humanos são as peças fundamentais que animam a cidade, no entanto, essa atividade na sociedade contemporânea vem tomando uma centralidade perigosa, ou no mínimo, conflituosa.

Esse conflito surge quando os espaços destinados a certas classes sociais são territorialmente ocupados por outras, dessa forma, os shoppings, antes moldados para satisfazer o desejo da classe média em diante, se tornaram um local de encontro e uso híbrido para as mais diversas ordens de classes sociais.

Para as classes que se sentem legitimadas a usarem tais espaços, os “rolezinhos” representam a quebra da atmosfera higienizada que o shoppings historicamente propuseram construir. Dentro desses espaços a desigualdade estava camuflada, uma outra realidade estava aparente, sem favelas, odores indesejáveis ou paisagens degradantes.

Para os grupos que realizam esses encontros, os shoppings acabaram se transformando em lugar de visibilidade e de encontro, a escolha desses locais ocorre simplesmente por quê os shoppings se transformaram no totem da sociedade moderna, onde o homem urbano na futilidade do nada a fazer irá buscar nesse local a quebra de seus anseios. Para esses jovens não é diferente, a única possibilidade que a cidade proporciona é isso, então “#partiu rolezinho”.

Talvez não haja uma consciência crítica, de protesto ou resistência elaborada estrategicamente no interior desse movimento, ela pode estar nas entrelinhas e constituída de modo espontâneo expressando a crise urbana em que vivemos, onde a segregação já não cabe aos espaços destinados.

Tais fenômenos são respostas à falta de espaços públicos voltados ao lazer e de politicas culturais que abrangem os desejos dos jovens. Um outro elemento importante se figura no poder da mídia, expresso de um lado, na articulação dos jovens via internet, e de outro, na promulgação em forma de espetáculo pelos meios de comunicação, ponto essencial, pois, na medida que a que a representação desse movimento toma a mídia e os jovens se veem como protagonista, isso se configura para eles como mais um espaço ocupado.

O que podemos extrair é que a ebulição de uma cidade contraditória, formada por classes sociais distintas, só tende a se intensificar. O problema não é exclusivo dos jovens da periferia e das grandes cidades, a falta do lazer na urbis afeta toda a qualidade de vida da população,contudo, o mais pernicioso é que cada vez mais os espaços de encontros são espaços de classes, a distinção só tende aumentar formando uma cidade ainda mais fragmentada, excludente e racista.

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nov   201312

Boca de Rua!

Postado em Geógrafo

Informação é poder! Tal afirmativa não corresponde unicamente como um mero slogan de algum jornal impresso ou um canal de televisão; trata-se de um imperativo concreto, presente na vida cotidiana de toda a sociedade, cada vez mais globalizada e articulada pelos meios de comunicação.

A televisão e a imprensa escrita são capazes de eleger prefeitos e presidentes, guiar o futuro político do país, mobilizar a sociedade civil, tal como fazer dessa mesma população “massa de manobra” para assuntos e questões de interesses próprios.

As noticias que rondam os jornais e noticiários possuem endereços claros, são informações geradas no seios de algumas classes sociais, que possuem suas ideologias e projetos políticos. Nada mais normal ao abrirmos o folhetim do dia-dia e observarmos as mesmas figuras, em destaques que muitas vezes não dizem nada, mas aparecem, pois, esse é modo de implementar alguma marca no imaginário social, representa presença ou, em último termo, propaganda.

Uma pesquisa realizada pela Fundação Getúlio Vargas, demostra que 71% dos brasileiros não acreditam na TV e 62% possuem a mesma opinião sobre a imprensa escrita.

Os maiores meios de comunicação do país estão nas mão de algumas poucas famílias, a maioria dos jornais locais estão sobre o controle de políticos, ou seja, os meio de comunicação se promovem então como uma poderosa ferramenta para veiculações de noticias filtradas, descoladas ou descompromissadas com os interesses de certas populações.

Nesse sentido existem algumas alternativas que surgem com grande potencial, como é o caso do Jornal “Boca de Rua”, criado em Porto Alegre, desde de 2001. O jornal é uma tentativa de levar as vozes dos moradores de rua a uma patamar mais elevado, isto é, ao conhecimento de todos.

Os jornalistas são os próprios moradores, que escrevem e fotografam, desse modo, demonstram como é possível realizar jornalismo com uma tecnologia acessível, uma ideia na cabeça e muita ação nas mãos.

O informativo trimestral leva notícias relevantes que são esmagadas e ocultadas na imprensa tradicional. Um exemplo, são as reapropriações violentas que o Estado vem realizado nos bairros pobres próximos ao Estádios que irão receber os jogos da copa do mundo, realidade que não é “privilégio” apenas da capital gaúcha, mas que vem sendo repetidas em todas as sedes dos jogos.

Portanto, um jornal ou um noticiário são modos de ver o mundo, recortes de realidades que devem ser encarados sempre com um senso crítico, por isso a necessidade de conhecer quem opera por detrás, quais são as fontes e para quem está sendo direcionada tais informações.

Para acessar o vídeo-documentário que aborda sobre o Jornal Boca da Rua digite: http://www.youtube.com/watch?v=5TtoMSiRn0w

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Presenciamos a copa mais politizada da história, e pasmem, no país do futebol!

A copa deixará um legado importante para o Brasil, e não são os estádio monumentais, realizados com dinheiro público e vendido a preço de banana que serão a matéria dessa história, e sim o questionamento por parte da população de como foi esse processo usurpador de verba pública em detrimento a investimentos mais primordiais para a qualidade da vida social.

A copa no Brasil foi revestida em um primeiro momento com grandes promessas que alimentaram a imaginação popular; parecia que todos os problemas urbanos seriam revertidos com esse evento de grande magnitude. Planos nacionais de mobilidade urbana simplesmente não saíram do discurso, e as grandes capitais brasileiras continuaram na mesma, exceto, pelo alojamento de grandes estruturas de valores estratosféricos, os já proclamados “Elefantes Brancos”.

A copa no Brasil tomam contornos diferentes. A história oficial procurará incessantemente narrar pela perspectiva do espetáculo, da magia do futebol, e da imposição de que esta é a grande paixão do brasileiro e da humanidade global. Mas há, por outro lado, uma história de resistência, oculta dos grandes veículos de comunicação, mas viva nas ruas e nas praças: as mobilizações sociais.

Esses levantes populares estremeceram a máfia da FIFA, e estão servindo para denunciar a ação desses grupos soberbos, que constituíram junto ao Estado e as multinacionais verdadeiros canais de extorsão de dinheiro público.

Para quem é realmente essa Copa? De fato não será para a população brasileira. Estádios como o Castelão em Fortaleza estão situados em zonas extremamente carentes de serviços públicos, apresentam esgoto a céu aberto e índice de violência altíssimos.

Violência que é o grande temor do Brasil para com seus turistas. Mas será que nos esquecemos que a violência existe por lá a décadas, e quem sofre efetivamente é a própria população brasileira?

Todo esse zelo pelo turista e pela imagem do Brasil escondem as contradições existem nesse território. A falácia do crescimento que esses grandes investimentos trariam para o pais começam a ficar evidente. David Harvey, geógrafo, afirmou em entrevista ao Jornal Le Monde, da França, que eventos como a Copa e as Olimpíadas podem ter um impacto extremamente negativo, como o que houve com a Grécia, que desde 2004 entrou em uma série de crises econômicas sem procedentes.

A higienização social oriundos dos processos de revitalização aos arredores dos espaços destinados a competição não visam sanar as desigualdades sociais, pelo contrário, empurram os grupos sociais mais baixos para a periferia, e tornam a cidade segmentada e não mais um direito comum.

Uma história haverá de ficar marcada: contaremos para todos que na noite de gala do futebol brasileiro não existiam negros, pobres e os gays foram curados. Os que estavam no novo estádio de 600 milhões de reais (fora os desvios), eram brancos, ricos e limpos, ou seja, a nova cara que querem do Brasil!

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